Quarta-Feira, 28 de Janeiro de 2026

DATA: 28/06/2017 | FONTE: G1 MS Dona de casa espera há sete anos por cirurgia bariátrica Campo Grande é referência, em cirurgia bariátrica, mas os três hospitais credenciados pelo SUS suspenderam essa operação. Atualmente são 98 pacientes na fila prontos para fazer o procedimento e outros 300 aguardando consulta.

Adriana Ramos da Silva é uma dona de casa de Mato Grosso do Sul que mau consegue falar sobre cirurgia sem esconder as lágrimas. Aos 33 anos, ela tem obesidade mórbida: pesa 240 quilos e aguarda há 7 anos por uma bariátrica. Os três hospitais de Campo Grande credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) suspenderam o procedimento.

“Desde os 26 anos eu tô tentando fazer essa cirurgia e a gente não tem condições de pagar. Eu fui na Santa Casa, entrei na fila, levei o laudo e fiquei aguardando, mas eles nunca me chamaram,” lembra Adriana.

Relatório enviado pela regulação de vagas do estado mostra que a dona de casa solicitou a primeira consulta devido à obesidade em 2009. Porém a situação dela ficou crítica em 2008, depois que o filho morreu em acidente de trânsito. Ela já estava acima do peso e com a perda, entrou em depressão e chegou à morbidade.

Para a dona de casa, a cirurgia bariátrica é a esperança de conseguir perder peso e voltar a ter uma vida normal. Há um ano ela caiu, quebrou o tornozelo, passou por cirurgia e recebeu a orientação médica: enquanto não emagrecer, não pode voltar caminhar.

Adriana desabafa. “Eu não consigo fazer nada, tenho que é ficar só dentro de casa. Tenho que ficar pra tudo dependendo pra tudo. Eu não quero mais isso, preciso fazer essa cirurgia para mim melhorar, para mim poder sair, fazer as coisas. Tomar um banho sozinha, poder trabalhar".

Mesmo tentando desde 2009 atendimento médico por causa da obesidade, só conseguiu neste mês. Foram vários cancelamentos ao longo de anos. Ela iria passar por uma avaliação hospitalar, mas acabou internada devido ao inchaço nas pernas. Só poderá dar continuidade aos exames depois que receber alta.

Ela passa a maior parte do tempo deitada. O sedentarismo trouxe outros problemas. A dona de casa está há uma semana internada em um hospital municipal de São Gabriel do Oeste, porque estava com as pernas inchadas. Também precisa tratar da diabetes e hipertensão.

A espera pela cirurgia de Adriana é cansativa. O marido dela, Francisco Roberto, já não suporta mais ver a dor da esposa. “Eu me sinto triste. A minha vida inteira eu preciso estar ao lado dela, né? Porque ela precisa da gente. Tudo que eu faço é pra ela”.

 

Exemplo

 

O que Adriana quer é se sentir bem, assim como o Júnior Gazineu. Ele tinha 122 quilos quando passou pela cirurgia, atualmente pesa 76. “Mudou a autoestima. Você tem vontade de tá no meio da comunidade. Você se olha e você vê outra pessoa. O principal de tudo para mim é a saúde. Melhorou minha respiração. Hoje eu voltei a praticar meus esportes” Comemora, Junior.

A vitória do Júnior é a mesma que a Adriana espera. “Tenho fé que ainda vou conseguir, que eu posso conseguir fazer essa cirurgia. Não dá para ficar desse jeito” desabafa Adriana.

 

Cirurgia

 

Uma cirurgia de redução de estômago pode chegar R$ 35 mil reais na rede particular. Quem não pode pagar, engorda as estatísticas da fila de espera do SUS.

Em Campo Grande, três hospitais estão credenciados pra fazer a cirurgia: Santa Casa, Hospital Regional e Hospital Universitário, mas todos estão com os procedimentos suspensos. Enquanto isso, 98 pessoas aguardam na fila e outras 300 nem sequer passaram por consultas.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, um aumento no repasse para a santa casa está fora de cogitação no momento. A prefeitura de campo grande está terminando a negociação com o Hospital Universitário pra retomar as cirurgias.

 

“O repasse do SUS é muito inferior ao gasto de uma cirurgia, pouco mais de R$ 6 mil. E nós sabemos que se a gente for colocar o termo de uma cirurgia na rede particular, ele está bem aquém do que é um gasto de um hospital, que deve chegar R$ 12, a R$ 15 mil. Então a nossa tratativa com a prefeitura é chegar a um valor para que a população não seja prejudicada” explica Marcio Eduardo vice-diretor técnico da Santa Casa.

Adriana não pode caminhar por causa do peso, segundo os médicos (Foto: Reprodução/TV Morena)

Adriana não pode caminhar por causa do peso, segundo os médicos (Foto: Reprodução/TV Morena)

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