Quinta-Feira, 29 de Janeiro de 2026

DATA: 01/12/2017 | FONTE: G1 MS Idosa que fugiu de marido agressor reencontra filhos após 20 anos Polícia descobriu paradeiro da idosa e ela ainda teve medo. "Sofri tanto que fiquei desconfiada se era verdade. Hoje foi um dia maravilhoso", diz doméstica.

Maria da Silva Oliveira, doméstica de 60 anos que fugiu do marido agressor, reencontrou os filhos depois de 20 anos, nesta sexta-feira (1º), em Campo Grande. O reencontro ocorreu na 5ª Delegacia e foi possível com ajuda de investigação policial que começou após pedido de um dos filhos.

Foram tantos xingamentos e agressões sofridas na época que a idosa procurou a ajuda de padres, pastores e um advogado. As diversas idas e vindas motivaram a vítima a fugir do agressor e ir embora de Mato Grosso do Sul.

"Na época não existia a Lei Maria da Penha, foi em meados de 1999 a 2000. Eu não queria separar, mas até um advogado que eu arrumei me mandou sumir porque senão iria morrer. Pensava nos meus filhos, levei eles embora para Porto Velho. Ele então ia atrás e os tomava. Não foi nem uma nem duas vezes que ele pegou o facão e a tesoura para me matar", disse ao G1.

Maria da Silva ficou 13 anos ao lado do suspeito. Na época, ele tinha 34 anos e ela 17. "Eu tinha uma filha de um primeiro marido. Depois, tive mais sete com ele. O nosso último filho, hoje com 33 anos, também sofreu muito com as agressões do pai. Desde o início, o pai falava que não queria o menino. Não faltava comida em casa, mas, para o caçula, eu tinha que pegar alimento escondido porque ele não gostava", relembrou.

Netos estavam muito felizes ao conhecer a avó  (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

Netos estavam muito felizes ao conhecer a avó (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

Após anos residindo em outro estado, a doméstica vinha para Campo Grande reencontrar escondido com os filhos. "Da última vez, disse a eles que teria um novo casamento. Eu fumei e bebi muito, além de não ter vontade de comer muitas vezes, tudo pela falta que eles me faziam. Eu então me mudei para Cuiabá e lá tive um novo recomeço", comentou.

 

Novo ano

 

O filho caçula, o motorista Josué da Silva Rodrigues, de 33 anos, disse que sempre sentiu falta da mãe. "Estou feliz demais, a melhor notícia para começar o novo ano. Minha esposa me incentivou muito e eu sou grato demais a investigadora Maria Campos e outros policiais. Foi apenas uma manhã de conversa com ela e, em 15 minutos, ela já começou a encontrar parte da família", disse.

A esposa de Josué, Sandra de Souza Matiazo, de 36 anos, disse que está emocionada em conhecer a sogra. "Era um desejo dele e eu sempre o incentivei. Teremos agora um final de ano maravilhoso. Os netos também abraçaram muito a avó no reencontro."

Conforme a investigadora Maria Campos, ao receber a notícia, a doméstica ficou desconfiada. "Eles me ligaram em Cuiabá e eu cheguei a ir na delegacia, desconfiada e com medo. Mas, já na defensoria, me ajudaram e eu vi que era verdade. Estou feliz demais", finalizou a idosa.

 

Hoje, o ex-marido da doméstica está com 94 anos e mora em Campo Grande, de acordo com a investigadora.

Filhos e a mãe conversando após muito tempo distante (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

Filhos e a mãe conversando após muito tempo distante (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)

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