
O bilionário Jack Ma, dono de uma fortuna de US$ 27,6 bilhões, fracassou diversas vezes até conseguir construir o gigante e-commerce chinês Alibaba. Conhecido por suas estratégias ousadas nos negócios e até chamado de "louco" por apostar alto em modelos não usuais, Ma não gosta de se ver como um influenciador ou ditador de tendências. "A única certeza da vida é o ontem. Não sei dizer se no futuro estarei ditando algo nos negócios, se farei algo estúpido. É por esta razão que quero me aposentar cedo", disse nesta quarta-feira (18/01) durante o Fórum Econômico Mundial.

O bilionários tampouco se vê à frente do Alibaba pelo restante de sua vida. "O mundo é tão maravilhoso. Por que eu preciso ser o CEO do Alibaba todo o tempo?", disse. "Eu não vim a este mundo para trabalhar, vim a este mundo para aproveitar a vida. Eu não quero morrer no escritório, quero morrer na praia", afirmou. Seus planos futuros incluem "aproveitar a vida" realizando objetivos que sonha, como ser professor universitário.

Encontro com Trump
Ele pode negar o crédito, mas é atualmente uma das vozes mais influentes no mundo dos negócios. Tanto é que foi uma das primeiras pessoas que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou para uma reunião neste ano. "Foi uma conversa muito mais produtiva do que eu esperava. Ele estava muito aberto a tudo que eu dizia, falamos sobre pequenos negócios, produtos para agricultura, comércio entre China e Estados Unidos", disse Ma, que afirma ter ficado surpreso com o convite. Sobre as declarações polêmicas que Trump tem feito com relação à China, Ma afirma que respeita e entende a "liberdade de expressão" que existe nos Estados Unidos, mas que tem suas próprias visões sobre esse assunto. No que eles concordam? "Em como crescer pequenos negócios, gerar empregos, exportar para a China e desenvolver o meio-oeste americano", disse.

Globalização e China
Jack Ma afirma ter ficado "orgulhoso" da fala do presidente chinês Xi Jinping na abertura do Fórum Econômico Mundial. Primeiro presidente da China a ir a Davos, Xi Pinging pediu aos líderes mundiais que digam "não ao protecionismo" e permaneçam comprometidos com a promoção do livre comércio. "Me senti animado e senti mais confiança de que a China está preparada para se abrir ao mundo. Nós temos que rever as coisas - não pará-las". Ma, porém, defende que haja uma globalização "mais inclusiva" que abarque milhões - e não milhares - de negócios. Isto só seria possível, defende, com um novo tipo de liderança no mundo. "Não falo de um novo líder específico que diga o que temos que fazer. Falo de trabalharmos melhor todos juntos", disse.

Alibaba x Amazon
O empresário também respondeu a comparações de seu e-commerce com a gigante americana Amazon, de Jeff Bezos. Enquanto o Alibaba terceiriza grande parte de sua produção e distribuição, a Amazon vai no caminho de controlar cada etapa de seu império. Quem se mostrará correto, afinal? "Eu espero que os dois. O mundo não pode ter só um modelo correto - seria chato demais", disse.
Ma defendeu que a filosofia do Alibaba é criar um modelo equilibrado, que não só venda, mas que empodere as pessoas envolvidas. "Queremos que através da nossa tecnologia e inovação, 100 milhões de pequenos negócios consigam concorrer com uma Microsoft, uma IBM. Que cada um deles torne-se uma pequena Amazon", disse. Ele também afirmou que sua empresa não precisa controlar toda a logística ou, por exemplo, investir em drones como Bezos vem fazendo na Amazon. "Nós temos ferramenta para garantir que a distribuição dos terceiros seja íntegra e eficiente", disse. "Não é uma questão, no final, de quão poderosos ficamos. Nós realmente achamos que a tecnologia pode ser inclusiva dentro da sociedade", afirmou ao lembrar das dificuldades que teve ao criar seu primeiro negócio, em 1992. Pegou 5 mil dólares emprestados de um banco e fracassou três meses depois.
Produtos falsificados
Uma das maiores críticas que envolvem o Alibaba é da venda - a preços módicos - de produtos falsificados ou que trazem imitações bem próximas à de grandes marcas. Jack Ma disse que a empresa tem investido em utilizar todo o "big data" - montado a partir de uma infinidade de dados que reúne de clientes, fornecedores e produtos - para rastrear os "produtos fake". "Chamo eles de criminosos e já colocamos vários na prisão. Temos sistemas que ensinam os computadores a identificar produtos fraudados e a rastrear o caminho das compras", disse. Ma, contudo, reclama que os produtos falsos têm ganhado formas cada vez mais próximas às originais - e que nem institutos de pesquisa conseguem averiguar ao certo a diferença entre eles."Lutar contra pirataria é lutar contra a ganância humana", afirmou.

POR BARBARA BIGARELLI
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