
A marmita de agentes penitenciários do presídio de Segurança Máxima de Campo Grande precisou ser substituída por pizza na noite desta quinta-feira (29). A denúncia de um plano de envenenamento do PCC (Primeiro Comando da Capital) deixou agentes em alerta, principalmente, porque há a informação de que a organização criminosa já teria preparado uma lista, com cinco nomes de agentes, com ordem de execução nos próximos dias.
De acordo com a Agepen (Agência de Administração do Sistema Penitenciário) houve uma suspeita de envenenamento e, por precaução, a comida dos servidores foi substituída. A mesma suspeita foi levantada no presídio feminino Irmã Irma Zorzi, no entanto, na unidade, não houve substituição da marmita.
“A direção da Máxima está tomando todas as medidas preventivas possíveis, inclusive, irá instalar câmeras de monitoramento no local”, informou a assessoria da agência na tarde desta sexta-feira (30).
Na maioria das unidades penitenciárias do Estado, a comida dos agentes é feita pelos próprios detentos, o que coloca em risco a vida dos servidores. Na Máxima da Capital, o serviço de cozinha é terceirizado, no entanto, o alimento é servido pelos presos aos agentes.
“Não existe amparo ao servidor penitenciário. Nós estamos abandonados, desvalorizados, é um risco muito alto”, considera o presidente do Sinsap (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária), André Luiz Santiago.
Lista de execução – Conforme apurou o Campo Grande News, as ameaças de envenenamento são em decorrência de uma lista feita pelo PCC, para a execução de cinco agentes penitenciários em Mato Grosso do Sul.
A lista teria nomes de servidores que atuam em Naviraí, Dourados e Campo Grande. Os agentes, inclusive, já teriam sido avisados pela Agepen e afastados de suas atividades por alguns dias, por uma questão de segurança. Mas, não receberam nenhum tipo de proteção especial.
A Agepen disse que, por questões de segurança, não informa a existência de ameaças a seus servidores, mas garante que “em qualquer caso identificado, o servidor é imediatamente informado e afastado de seus serviços”.
Insegurança - Atualmente, Mato Grosso do Sul tem 1,5 mil agentes para atender em torno de 16 mil presos e a insegurança é parte da rotina da função.
Em 2015, o agente Carlos Augusto Queiroz de Mendonça, 44 anos, foi morto a tiros na frente do Estabelecimento Penal de Regime Aberto e Casa do Albergado de Campo Grande.
Conforme levantamentos da polícia, a vítima não teve tempo de reagir. Assim que chegou na recepção, o autor acertou dois tiros no abdômen. Mendonça tentou correr, mas caiu. O autor disparou mais dois tiros, acertando as costas.
No ano passado, cinco agentes que passaram mal depois de serem envenenados com o raticida conhecido como chumbinho, na penitenciária de Segurança Máxima da Capital.
Os servidores tiveram vômito, diarreia, pressão alta, tontura e até desmaio, depois de tomarem café no presídio.
Também no ano passado, o agente Enderson Antônio Bogas Severi, de Naviraí, foi baleado quatro tiros em diferentes partes do corpo quando seguia para o serviço em uma moto. Ele foi abordado por quatro homens em duas motos minutos depois de deixar o filho em uma creche.
“O sindicato se admira com o posicionamento do Estado que, perante ameaças graves, não toma medidas contundentes para salvar a vida do servidor. Geralmente os ameaçados são servidores corretos, que fazem investigações, descobrem as coisas e impedem que os planos criminosos sigam adiante, precisam ser valorizados e protegidos”, considera Santiago.
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