
O ensino da rede estadual em Mato Grosso do Sul vai mudar. Na terra escolhida pelo poeta Manoel de Barros, a Literatura se despede da grade curricular para ser incorporada à Língua Portuguesa. O corte, de acordo com o governo do Estado, se trata de uma “flexibilização”, mas a mudança sem aviso prévio tem causado descontentamento e preocupação com o aprendizado da matéria que é cobrada no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
A partir deste ano letivo, o ensino médio não contará com as duas horas semanais que eram utilizadas para aulas de Literatura até 2016. O espaço que sobrou com a retirada da disciplina deve ser preenchida pela matemática, e as aulas de língua portuguesa, que eram três vezes por semana, passarão a ter quatro por semana.
De acordo com o diretor da escola estadual Joaquim Murtinho - uma das mais tradicionais e populosas de Campo Grande -, o descontentamento causado pelo enxugamento é visível, e dois professores já foram retirados da unidade por falta de aulas. “Os professores se sentem desprestigiados, há danos nesta área”. E continuou: “Tinhamos dez professores dedicados à Literatura em 32 turmas no período matutino, ficaram com 8. Os outros dois serão realocados porque são concursados”, contou.
Sobre a possível perda pedagógica, ele explicou que o interesse em aumentar as aulas de matemática é motivado pelo mau desempenho dos estudantes nessa área, conforme resultado de avaliações promovidas pelo MEC (Ministério da Educação). “A matemática apresenta a maior defasagem, mas já pensamos em projetos, uma dinâmica diferente para sanar a ausência”.
Para o professor de literatura Hildegard Brum, que leciona a disciplina há dez anos, a remoção da matéria pode ser prejudicial ao aluno. “Essa incorporação à língua portuguesa, puro e simplesmente, ignora que a disciplina requer habilidades e conhecimentos específicos do professor. Mesmo dentro da graduação em Letras, os professores de Literatura, Língua Portuguesa e Produção de Texto são diferentes. As práticas de ensino, ensinadas na universidade, também são diferentes para cada matéria. Ou seja, o governo ignorou a própria formação acadêmica do professor e prejudica seu aluno ao não oferecer a ele o profissional mais capacitado”, avaliou.
“Através do contato com a literatura o aluno descobre as múltiplas faces da linguagem, entra em contato com diferentes aspectos da Língua Portuguesa. Quanto maior for a diversificação dos textos literários apresentados aos alunos, maior será a experiência que ele terá com este universo”, declarou a professora Rosana de Carvalho, de 45 anos.

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