Quinta-Feira, 29 de Janeiro de 2026

DATA: 27/12/2017 | FONTE: MidiaMax Bitcoin: Minerworld segue com atrasos e temor entre clientes aumenta Associados relatam que prazo de quitação não foi honrado pela empresa

A empresa de mineração de bitcoins Minerworld, com sede em Campo Grande, continua a enfrentar relatos de atrasos nos pagamentos - o prazo informado para quitação venceu na última terça-feira (26), mas muitos associados reclamam que não receberam os pagamentos.

Os primeiros relatos de atrasos tiveram início ainda em outubro, o que despertou nos associados temor por prejuízos financeiros, uma vez que a empresa é investigada por suposto esquema de pirâmide financeira. Na época, a empresa responsabilizou a demora nos pagamentos a uma migração e atualização de servidores, além de uma atualização no sistema da criptomoeda (fork) que estaria retendo os bitcoin, ocasionado lentidão e suspensão dos depósitos.

Em relação aos atrasos, a Minerworld afirmou à reportagem, no último dia 14 de dezembro, que "a maior parte dos pagamentos foi quitada" e reforçou que vem passando, desde novembro, "por uma reestruturação e fortalecimento dos seus negócios a partir de um plano de expansão que inclui a mudança de plataforma operacional", o que explicaria, segundo a empresa, algumas das pendências.

Associados relatam atrasos em grupos de WhatsApp (Reprodução/WhatsApp)

Associados relatam atrasos em grupos de WhatsApp (Reprodução/WhatsApp)

Para tanto, um cronograma foi apresentado, no qual pagamentos atrasados seriam quitados nos dias 15 e 20 de dezembro. Já os novos pedidos de saque, realizados entre 21 e 26 de dezembro, seriam compensados aos associados ainda no dia 26 - prazo que venceu. Porém, os relatos de atrasos continuam.

"O que está havendo é que pouquíssimos pagamentos estão sendo feito diariamente, mas não se sabe bem qual critério utilizado", aponta um associado que preferiu não ser identificado e que afirma que tem rendimentos pendentes desde outubro.

A empresa foi procurada pela reportagem, mas ainda não se posicionou sobre a persistência de atrasos nos pagamentos.

Investigação

A empresa Minerworld é alvo de investigação da polícia paraguaia, que desde maio deste ano apura a legalidade de funcionamento naquele país. Todavia, no Brasil, a empresa opera sem dificuldade e possui até registro no Ministério da Fazenda - porém, em sua descrição, ela se apresenta como uma empresa de suporte técnico, manutenção e de outros serviços de tecnologia de informação, sem referências sobre atividade de mineração de bitcoins.

 

No Brasil, a empresa é investigada pela Polícia Federal por supostamente atuar em esquema de pirâmide financeira. O advogado Cícero Saad, de Campo Grande, apresentado como o principal diretor da empresa, nega o esquema fraudulento. Ele responde processo de estelionato na Justiça, acusado de fraudar comprovantes de pagamento. Também integram a direção da empresa Hercules Gobbi e Johnes Carvalho. A sede na Capital fica em um edifício empresarial, localizado na rua 15 de Novembro.

Sobre o bitcoin

O bitcoin é uma espécie de moeda virtual (criptomoeda) que não está sob domínio do Banco Central de qualquer país, ou seja, não está relacionado a qualquer governo. Assim, as transações digitais são feitas sem a intermediação de um banco, num sistema bastante complexo que é validado por computadores do mundo inteiro - as estações de mineração.

Existem duas formas, basicamente, de conseguir comprar bitcoins: a primeira é pelo aplicativo oficial ou pelo site do serviço, trocando dinheiro real por bitcoins, algo semelhante a um sistema de câmbio. A segunda, é por meio da mineração, ou seja, a disponibilização de computadores para validarem o sistema que faz o bitcoin funcionar. Assim, os 'mineradores' recebem pelo serviço recompensa em bitcoins, que são lançados no mercado.

Todavia, por não ser rastreável e nem controlada por nenhum governo, o bitcoin tem protagonizado uma série de polêmicas. Muitos especialistas apontam que o Bitcoin pode favorecer a sonegação de impostos, já que não obrigatoriamente os valores em criptomoedas são convertidos em dinheiro estatal, o que inicialmente dificulta a fiscalização das Receitas Federais do mundo inteiro. Outro fator é que o bitcoin tem sido apontado como a moeda que financia, por exemplo, ataques terroristas e crimes como sequestros. Por fim, os esquemas de mineração de bitcoin também podem, segundo especialistas, serem utilizados para esquemas de pirâmides financeiras.

MEIs têm até 30 de janeiro para solicitar reenquadramento no Simples Nacional 28/01/2026 MEIs têm até 30 de janeiro para solicitar reenquadramento no Simples Nacional
Petrobras reduz preços de gasolina para distribuidoras 27/01/2026 Petrobras reduz preços de gasolina para distribuidoras
Anfavea: produção veicular com kits importados ameaça 69 mil empregos 21/01/2026 Anfavea: produção veicular com kits importados ameaça 69 mil empregos
Ainda deve demorar para acordo Mercosul-UE se tornar realidade 18/01/2026 Ainda deve demorar para acordo Mercosul-UE se tornar realidade