
Apesar do encolhimento dos recursos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) destinados ao Estado, a Casa Civil da Presidência da República conformou a retomada do projeto da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados, a UFN-III, em Três Lagoas, sob o comando da Petrobras. Travado desde 2014, o empreendimento é considerado estratégico para reduzir a dependência nacional da importação de insumos agrícolas e deve atender majoritariamente, além do próprio Estado, os mercados de Goiás, Mato Grosso e São Paulo.
Em resposta a questionamentos do Campo Grande News, a Casa Civil informou em nota que a UFN-III integra a carteira de investimentos do PAC e está em “fase de preparação” para a retomada das obras no segundo semestre de 2026. A expectativa é de geração de cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos durante o pico das atividades no município, localizado no Vale da Celulose.
Mesmo com a pressão fiscal, o governo federal manteve o projeto, embora tenha reduzido os recursos do Novo PAC para Mato Grosso do Sul, de R$ 44,7 bilhões para R$ 24,2 bilhões, praticamente a metade do valor anunciado em 2023.
A Petrobras informou que o projeto se encontra em fase de licitação para a conclusão da unidade, com 11 editais em andamento e previsão de recebimento das propostas até o final de dezembro deste ano.
As licitações abrangem drenagem, pavimentação e rede de água e combate a incêndio; prédios administrativos, laboratórios e oficinas; seccionamento da linha de transmissão e subestação de entrada; interligações; águas e efluentes; energia; amônia e estocagem de amônia; ureia fundida e granulação; estocagem e expedição de ureia; sistema de manuseio de ureia e pacote de automação.
Segundo a estatal, a aprovação formal da retomada deve ocorrer em 2026, seguida pelo início da nova fase de execução. A pré-partida operacional está prevista para 2028. A Petrobras ressaltou que o projeto possui todas as licenças ambientais necessárias e que foi “desenvolvido com foco na otimização do consumo de água e energético”.
A companhia não deu detalhes sobre como seriam usados os recursos do Novo PAC, mas destacou que o projeto “possui incentivos municipais e busca ainda incentivos estaduais e federais”. Os investimentos finais serão definidos após a análise das propostas das licitações.
Há um ano o Conselho de Administração da Petrobras havia aprovado a retomada das obras de implementação da UFN-III, com investimento estimado em R$ 3,5 bilhões.
Polo industrial do Centro-Oeste
A retomada da UFN-III reforça o papel econômico e logístico de Três Lagoas, consolidando o município como polo industrial do Centro-Oeste. A localização estratégica, próxima aos principais mercados consumidores e com infraestrutura consolidada, contribui para a viabilidade do empreendimento.
O setor de fertilizantes é considerado fundamental para o crescimento do país, por impulsionar a produtividade agrícola e fortalecer a segurança alimentar. “Possui, portanto, relevância estratégica para a Petrobras e para o Brasil, ao reduzir a dependência da importação”, destacam técnicos da Casa Civil.
Com a escassez de mão de obra qualificada na região, marcada pela forte presença do setor de celulose, a Petrobras pretende desenvolver programas de capacitação profissional.
“A Petrobras está estudando formas de ampliar a capacitação local”, informou a companhia, que já patrocina dois projetos sociais no município: o ‘Gerando Futuro’, voltado à qualificação de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade, e o ‘Centro de Referência Esportiva’, focado em inclusão social por meio do esporte.
Capacidade e operação
De acordo com a Casa Civil, o projeto compreende unidades de produção de amônia e ureia, além de estruturas complementares, com capacidade nominal de 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, parte desta utilizada internamente na produção de ureia e o restante destinado ao mercado.
A Petrobras estima uma produção anual de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia.
A unidade consumirá em média 2,2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, principal matéria-prima, abastecido pelo Gasbol (gasoduto Bolívia-Brasil). A estatal ressalta que o projeto prioriza eficiência energética e hídrica, sem impactos ambientais relevantes.
Localizada próxima aos principais mercados consumidores do país, a UFN-III atenderá majoritariamente Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo. “A localização estratégica traz mais confiabilidade em relação às alternativas de suprimento, cuja demanda por ureia fertilizante apresenta tendência de crescimento. Além disso, a unidade já tem o gasoduto conectado”, destaca a Petrobras.
Impacto nacional
Quando entrar em operação, a unidade deverá suprir cerca de 15% do mercado nacional de ureia, reduzindo a dependência brasileira de importações. Considerando as quatro fábricas da Petrobras, Camaçari, na Bahia, Laranjeiras, em Sergipe, Araucária, no Paraná e UFN-III, em Três Lagoas-MS, a capacidade de produção de ureia chegará a cerca de 35% da demanda nacional.
“Essa estratégia visa reduzir a vulnerabilidade externa e o impacto de oscilações globais; reforçar a segurança alimentar nacional ao garantir o suprimento de insumos críticos à agricultura; aproveitar sinergias com a cadeia de gás natural; e gerar empregos e valor industrial no país”, afirmou a companhia.
Atualmente, a demanda brasileira por ureia é estimada em 7 milhões de toneladas, supridas principalmente por importações da Rússia. O insumo é amplamente utilizado em lavouras de milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além de aplicações na alimentação de bovinos.
Por Viviane Monteiro, de Brasília
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