
O CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) aplicou, ao fim da noite desta quinta-feira (23.out), 30 dias de suspensão a Antônio Rodrigues de Pontes Neto e Karin Kiefer Martins, médicos do Hospital Adventista do Pênfigo, em Campo Grande, após erros graves durante a cirurgia do filho do vereador Beto Avelar (PP), Roberto de Avelar Júnior, 34 anos, que ficou em estado neurovegetativo em 2022.
A decisão foi tomada por unanimidade, em julgamento ético-profissional conduzido por videoconferência, motivada por falhas no monitoramento, na condução do procedimento e na aplicação da anestesia. A punição pode parecer leve, mas segundo o CRM é considerada gravíssima e pode influenciar processos criminais e cíveis relacionados ao caso.
O anestesista foi condenado por negligência, imperícia e imprudência, além de delegar atos exclusivos da profissão médica e desrespeitar normas do Conselho de Medicina. Ele também não obteve consentimento adequado e deixou de usar todos os meios disponíveis para prevenção e tratamento de Júnior.
A diretora técnica foi responsabilizada por desobedecer resoluções, acobertar conduta antiética e não denunciar irregularidades à comissão de ética. O relator do processo apresentou fundamentação detalhada, reforçando a gravidade das condutas e a necessidade de punição exemplar.
O caso começou em 25 de fevereiro de 2022, sexta-feira de Carnaval, quando Júnior entrou andando para uma cirurgia simples de retirada de pino no braço e permaneceu 90 dias no CTI (Centro de Terapia Intensiva). A família relatou que ele sofreu parada cardíaca, bradicardia e falta de oxigenação, além de procedimentos de extubação realizados de forma inadequada.
Roberto de Avelar Júnior teve parada cardíaca em cirurgia e família aponta erro médico. (Foto: Arquivo pessoal)
Os pais, Beto Avelar e Dabiana Barcelos, tiveram de lutar judicialmente para garantir internação domiciliar e cuidados adequados. "Meu filho entrou andando e saiu neurovegetativo do hospital. São erros gritantes. Quando ficamos sabendo da parada cardiorrespiratória, nós tomamos todas as providências. Solicitamos a sindicância do hospital, fizemos o boletim de ocorrência”, relata o pai.
A sindicância do hospital não encontrou problemas e apontou que a parada cardiorrespiratória poderia ocorrer em qualquer paciente. “Mas eles não quiseram apresentar para nós as oitivas das pessoas ouvidas na sindicância. Essas oitivas são conclusivas da negligência, imprudência e imperícia. Nós tivemos que pedir judicialmente”, disse Beto.
O outro lado - Em nota, o Hospital Adventista do Pênfigo afirmou que todos os apontamentos estão sendo tratados tanto em processo judicial quanto administrativo e que tem colaborado de forma plena e transparente com a Justiça.
Ainda segundo o texto enviado à reportagem, o hospital reforça seu compromisso com a ética, a integridade e a qualidade no atendimento aos seus pacientes. "E, como parte de sua postura responsável, confia que a resolução dos questionamentos ocorrerá de forma célere e justa, a fim de comprovar a boa-fé e o compromisso com os mais altos padrões de conduta da instituição."
As defesas de Antônio e Karin não se pronunciaram no prazo estipulado de uma hora para a publicação do texto. O espaço segue aberto para declarações futuras.
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