
O Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) registrou uma tatu-canastra grávida em área de conservação monitorada da Suzano, em Mato Grosso do Sul. Trata-se de uma fêmea adulta, com 37 quilos e 1,52 metro de comprimento. A gestação foi confirmada com um ultrassom e é a primeira a ser identificada entre animais acompanhados pelo projeto Canastras e Eucaliptos, parceria entre a Suzano e o ICAS.
“Para nós, encontrar uma tatu-canastra grávida em uma área da Suzano é motivo de celebração. O registro sugere que as práticas de manejo nas áreas de cultivo e de preservação podem contribuir para a manutenção de condições favoráveis à biodiversidade”, afirma Beatriz Távora, gerente de sustentabilidade da Suzano.
A descoberta representa um marco para o projeto Canastras e Eucaliptos, reforçando a relevância das ações de monitoramento e conservação da biodiversidade. Segundo o ICAS, a toca do animal fica numa área de cultivo de eucaliptos da Suzano.
Com idade estimada em mais de nove anos, a fêmea apresenta indícios de já ter tido ao menos um outro filhote, informação importante para estudos sobre reprodução de tatus-canastra (Priodontes maximus) em ambientes compostos por áreas de cultivo de eucaliptos e florestas preservadas pela Suzano.
Além da avaliação clínica feita por veterinários, a fêmea recebeu um transmissor de GPS, que permitirá estudar seus deslocamentos e entender melhor como se integra ao Cerrado. Também foi instalada uma câmera de monitoramento próxima à toca, contribuindo para o acompanhamento remoto e para a geração de dados que podem apoiar futuras estratégias de conservação.
Conservação da espécie e conhecimento para a região
O projeto Canastras e Eucaliptos foi iniciado em abril de 2024 e reúne ações contínuas de monitoramento da fauna, reconhecimento de áreas e instalação de câmeras fotográficas ativadas por sensores. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre o comportamento do tatu-canastra em paisagens de Mato Grosso do Sul e apoiar medidas que favoreçam a conectividade entre habitats.
Segundo Gabriel Massocato, biólogo do Programa de Conservação do Tatu-canastra do ICAS, a nova descoberta reforça a relevância do trabalho realizado no estado. “Esse registro mostra que o tatu-canastra consegue utilizar paisagens produtivas quando ainda há conectividade com áreas naturais, o que reforça o papel dessas áreas na conservação da espécie. Esses dados nos ajudam a orientar ações mais eficazes de manejo e conservação, mostrando que é possível conciliar produção e biodiversidade quando há planejamento e compromisso com a natureza”, destaca.
Além do tatu-canastra, as câmeras fotográficas instaladas pelo projeto já registraram outras espécies nativas nas áreas monitoradas, como queixada, cateto, anta, tamanduá, irara e onça-parda. Os registros reforçam a riqueza ambiental de Mato Grosso do Sul e a importância de iniciativas colaborativas para preservar a biodiversidade regional.
Por Renata Prandini - Infomuts
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