
Uma capivara foi encontrada com uma flecha fincada próximo ao pescoço na manhã desta quinta-feira (27.ago), às margens do Rio Anhanduí, em Campo Grande. O animal foi visto na Avenida Vereador Thirson de Almeida, na região do Bairro Guanandi, por moradores, que acionaram a PMA (Polícia Militar Ambiental). Equipes da Patrulha Ambiental procuram o animal para resgatá-lo e levá-lo ao CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres). Ferir ou maltratar animais silvestres é considerado crime ambiental, com detenção de até 3 anos.
Conforme apurado pela reportagem, o animal foi visto ferido pela primeira vez por volta das 6h30 de hoje. A moradora Luzia Elias, de 79 anos, contou que estava a caminho do trabalho quando viu a capivara do outro lado da avenida. “Ela estava lá tentando comer, catando ‘capinzinho’ e estava com essa flecha nas costas”, relatou.
Segundo Luzia, esta foi a primeira vez que presenciou uma situação como essa. Abalada com o sofrimento do animal, ela classificou o caso como cruel. “Eu fiquei muito assustada e triste, né?! Como que faz uma coisa dessas a uma criação que não faz mal a ninguém?”, lamentou. Por não saber mexer com tecnologia, a idosa pediu ajuda à vizinha para acionar a polícia.
Ana Maria, de 62 anos, contou que foi avisada pela vizinha sobre a presença da capivara ferida. Segundo ela, o animal permaneceu por um longo período próximo à avenida antes de descer em direção às margens do Rio Anhanduí.
“Ela estava próxima à avenida. Ficou um ‘tempão’ e, umas 9h30, desceu para as margens do rio. Quando foi lá pelas 11h, subiu de novo aqui para perto da rua. Fiquei muito preocupada”, detalhou.
A moradora afirma que a presença de capivaras é comum na região e acredita que, ao se aproximar da avenida, o animal acabou chamando a atenção dos moradores. “Para mim, ela estava pedindo ajuda porque veio tão perto da beirada. Parece que ela queria que a gente visse e a ajudasse”, finalizou.
Patrulha ambiental da Guarda Civil Metropolitana, às margens do Rio Anhanduí, buscando por capivara ferida (Foto: Geniffer Valeriano)
Conforme a PMA, a equipe entrou em contato com o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) para realizar, em conjunto, a localização e o resgate da capivara. O objetivo é levar o animal para atendimento veterinário e avaliação dos ferimentos.
Segundo os policiais, será necessário o apoio de um médico-veterinário para aplicar sedativo antes da retirada do animal do local. A medida é necessária para evitar que a capivara se assuste, fuja ou se machuque ainda mais durante o procedimento.
Enquanto a reportagem estava no local, uma equipe da Patrulha Ambiental da Guarda Civil Metropolitana procurava a capivara. Após horas de busca, os agentes informaram que voltarão próximo ao entardecer, que é o momento em que as capivaras ficam mais ativas.
Crime - Praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, é considerado crime ambiental, conforme a Lei Federal de 1998. A pena prevista é de detenção de três meses a um ano, além de multa. Caso o animal morra em decorrência da agressão, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.
Por Clara Farias e Geniffer Valeriano
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