
Operação contra integrantes de uma organização criminosa suspeitos de levantar informações e planejar ações contra agentes de segurança pública chegou a Campo Grande nesta quarta-feira (16.set). A ofensiva teve origem em Roraima e investiga uma possível retaliação após a morte de um jovem de 21 anos durante uma ação policial em 2024.
A FICCO/RR (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Roraima) deflagrou a Operação Veredicto, dentro da Operação Força Integrada IV. Ao todo, são cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão.
As ordens judiciais têm como alvos endereços em Boa Vista e Caracaraí, em Roraima, Porto Velho (RO) e Campo Grande. A PF (Polícia Federal), porém, não detalhou inicialmente quantos mandados são cumpridos na Capital sul-mato-grossense nem quem são os alvos.
A investigação começou em 2024, depois que autoridades identificaram ameaças e indícios de articulação de integrantes de uma organização criminosa contra agentes de segurança que atuavam em Roraima.
Segundo a PF, os investigadores identificaram levantamento de informações sobre policiais, divulgação de imagens de viaturas e ameaças contra agentes públicos. Documentos atribuídos a investigados que já estão presos também teriam referências a possíveis alvos e divisão de tarefas entre integrantes do grupo.
A apuração aponta que a movimentação teria começado depois da morte de um suspeito durante uma operação policial. Segundo informações obtidas pela Folha BV sobre a Operação Veredicto, o episódio que teria provocado a reação ocorreu em junho de 2024, quando Carlos Eduardo Viana Fernandes, de 21 anos, morreu durante ação da FICCO no Bairro Asa Branca, em Boa Vista.
Após a morte, conforme a apuração, integrantes da organização criminosa teriam passado a monitorar viaturas, levantar rotinas e fazer ameaças contra agentes de segurança como forma de retaliação.
Morte terminou em condenação da União
O caso que antecedeu as ameaças também foi parar na Justiça. Em agosto de 2025, a Justiça Federal em Roraima condenou a União ao pagamento de indenizações e pensão à família de Carlos Eduardo.
Segundo a Folha BV, o jovem foi atingido por disparos efetuados por um agente da FICCO durante uma perseguição. A família sustentou no processo que Carlos Eduardo estava desarmado e que houve uso desproporcional da força. Também relatou supostas agressões após a captura, mas esse ponto não foi comprovado pela perícia.
A União argumentou que o policial agiu em legítima defesa. O juiz Diego Carmo de Sousa, da 2ª Vara Federal Cível, entretanto, entendeu que havia responsabilidade do Estado pela morte, ocorrida após disparo efetuado por agente público em serviço, sem comprovação de que a vítima representasse ameaça real naquele momento.
A sentença determinou indenização de R$ 100 mil para a mãe de Carlos Eduardo e outros R$ 100 mil para o filho dele, que atualmente tem 3 anos. Cada um dos três irmãos recebeu indenização fixada em R$ 50 mil.
Também foi determinada pensão mensal ao filho equivalente a dois terços do salário mínimo, contada desde a morte do pai até que complete 25 anos ou constitua família.
A decisão considerou que a fuga de Carlos Eduardo não afastava a responsabilidade estatal, mas caracterizava culpa concorrente e, por isso, influenciou no valor das indenizações. A União recorreu da sentença, segundo o advogado da família, Marlon Dantas. A família também informou que aguarda a apuração do episódio na esfera criminal.
À Folha BV, Maíra Fernandes, irmã de Carlos Eduardo, contestou a associação do jovem ao crime organizado e afirmou que a família busca a responsabilização dos policiais envolvidos na morte.
Por Gabriel Neris e Ana Paula Chuva
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