Quarta-Feira, 04 de Novembro de 2026

DATA: 31/08/2017 | FONTE: campograndenews Ex-prefeito será extraditado do Paraguai para cumprir 17 anos em MS Eurico Mariano foi preso em Capitán Bado por agentes da Interpol e levado para Assunção; ele contratou advogada que defende Pavão

A prisão do ex-prefeito de Coronel Sapucaia Eurico Mariano ontem (30) no Paraguai foi determinada pelo juiz penal de garantias Alcides Corbeta, para cumprir um pedido de extradição feito pela Justiça brasileira.

O político, que administrou a cidade localizada a 400 km de Campo Grande de 2001 a 2004, está condenado a 17 anos de prisão em Mato Grosso do Sul, acusado de ter mandado matar o radialista Samuel Ramon, no último ano de sua administração.

Ele nega o crime, mas fugiu para o Paraguai após a Justiça sul-mato-grossense expedir em 2010 um mandado de prisão com validade de 20 anos. O pedido de extradição, segundo o juiz Corbeta, foi feito pelo desembargador Carlos Eduardo Contar, no Tribunal de Justiça de MS.

A prisão de Eurico Mariano, 65, informada na manhã de ontem pelo Campo Grande News, foi feita por agentes da Interpol, a Polícia Internacional, em Capitán Bado, cidade paraguaia vizinha de Coronel Sapucaia.

De acordo com o jornal ABC Color, os agentes da Interpol aproveitaram um “descuido” dos seguranças de Mariano para prendê-lo. Ele foi levado imediatamente para Assunção, já que vivia protegido até por autoridades policiais e judiciárias em Capitán Bado.

Sem defesa – Para tentar impedir a extradição para o Brasil, Eurico Mariano contratou a advogada paraguaia Laura Casuso, a mesma que defende o narcotraficante brasileiro Jarvis Gimenes Pavão, 49, que está preso em Assunção e deve ser enviado ao Brasil em dezembro deste ano.

Laura criticou a Justiça brasileira e paraguaia ao comentar a prisão e Eurico Mariano e disse que o ex-prefeito está protegido no Paraguai por um amparo judicial, se referindo a um habeas corpus concedido em 2015 por um juiz de Capitán Bado.

“No Brasil se condena à revelia. Ali não existe direito à defesa e por amparo constitucional não extraditam seus cidadãos. No entanto, no Paraguai entregamos nossos compatriotas”, protestou Laura Casuso.

Eurico Mariano está preso na sede da Interpol em Assunção e a data da extradição ainda não foi informada. Ele tinha sido preso pela última vez no dia 5 de fevereiro deste ano, em Capitán Bado. Entretanto, ficou apenas algumas horas preso e foi liberado.

No dia 19 de janeiro, Mariano também tinha sido preso por agentes da Polícia Nacional e colocado em liberdade após apresentar um habeas corpus da Justiça do Paraguai.

O documento tinha sido renovado em 2015, mas só seria válido se o ex-prefeito apresentasse antecedentes penais e judiciais de 2008, 2011 e 2015, o que não foi feito.

Execução – Samuel Ramon foi morto a tiros de pistola 9 milímetros em abril de 2004, ao chegar em sua casa, no centro de Coronel Sapucaia. O crime foi cometido por um pistoleiro que estava de moto.

O radialista fazia oposição ao então prefeito da cidade, com duras críticas à administração em seu programa de rádio. No julgamento, em 2007, Mariano negou o crime e disse que Samuel o criticava há 20 anos. “Se tivesse que mandar matar teria mandado antes”, disse o ex-prefeito, na época.

Ex-prefeito Eurico Mariano com agentes da Interpol (Foto: ABC Color)

Foto: ABC Color

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