
Edilson Gonçalves Vilhalba, de 38 anos, morreu na madrugada desta sexta-feira (16.out), durante uma ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar na Rua Rosalva Fraga Santos, no bairro Vila Prateada, em Maracaju.
Conforme apurado, Edilson foi socorrido e levado ao Hospital Soriano Corrêa da Silva, mas não resistiu aos ferimentos. Posteriormente, o corpo foi encaminhado ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal).
Na ocorrência, foram apreendidos um revólver calibre .38, 15 munições do mesmo calibre, um jet loader, dispositivo utilizado para recarregar rapidamente revólveres e quatro tabletes de maconha, que totalizaram 2,685 quilos.
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais foram até o imóvel após receberem uma denúncia anônima sobre possível venda de drogas. No local, a equipe avistou Edilson armado em frente à residência.
Ao perceber a aproximação dos militares, Edilson efetuou disparos contra a equipe e fugiu pelos telhados das casas localizadas nos fundos do imóvel. Os policiais realizaram um cerco e conseguiram encontrá-lo sobre um telhado, ainda com o revólver em punho.
Munições apreendidas pela equipe policial durante a ação (Foto: Divulgação)
Os militares deram ordem de parada, mas Edilson teria avançado contra a equipe, mantendo a situação de ameaça. Diante disso, os policiais efetuaram disparos para conter a agressão. Após ser atingido, ele foi desarmado e socorrido.
Durante as buscas na residência, os policiais encontraram tabletes de maconha e uma motocicleta Honda preta. Segundo informações preliminares citadas no registro, o veículo seria utilizado para a comercialização de drogas e também teria sido empregado em homicídios registrados no município.
A perícia técnica foi acionada para realizar os procedimentos no local. O coordenador do patrulhamento do Batalhão de Choque também se deslocou para acompanhar a ocorrência e tomar as providências relacionadas à Polícia Judiciária Militar.
A ação foi realizada por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, no âmbito da Operação Protetor das Divisas e Fronteiras. A ocorrência foi registrada por suspeita de pertencimento a organização criminosa, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, desobediência e resistência. Também foram registrados os crimes de homicídio decorrente de oposição à intervenção de agente legal do Estado e tentativa de homicídio.
Motocicleta encontrada pelos policiais no imóvel durante as diligências (Foto: Divulgação)
Processos - Edilson respondia a uma denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul por duas tentativas de homicídio qualificado, em um caso registrado na madrugada de 3 de novembro de 2013, no Bar do Justino, no bairro Cambaraí, em Maracaju. O processo estava na fase de preparação para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Conforme a denúncia, após um desentendimento anterior com uma das vítimas, Edilson teria ido ao estabelecimento acompanhado de outro homem. Os dois teriam efetuado disparos contra dois irmãos, atingidos nas coxas.
Segundo o Ministério Público, os crimes teriam sido motivados por vingança. A acusação também apontou que os disparos em um local público colocaram outras pessoas em risco. Edilson foi denunciado por duas tentativas de homicídio qualificado, por motivo torpe e pelo emprego de meio que poderia resultar em perigo comum.
Em outro caso, Edilson foi condenado a dois anos de reclusão por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. O episódio ocorreu na madrugada de 26 de maio de 2013, na Praça Central de Maracaju.
Revólver encontrado próximo à parede de um imóvel, onde também há marcas de sangue após a ocorrência policial (Foto: Divulgação)
Segundo a denúncia, policiais militares faziam patrulhamento quando receberam informação sobre um homem armado no local. Durante a abordagem, encontraram com Edilson uma pistola calibre 765 e 14 munições intactas.
Conforme a sentença, ele confirmou que portava a arma e não tinha registro nem autorização para mantê-la. A Justiça fixou a pena em dois anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de dez dias-multa. A decisão permitiu que ele recorresse em liberdade.
No dia 15 de agosto de 2011, Edilson foi preso suspeito de matar Alexandre Marques da Silva, de 26 anos. O crime ocorreu três dias antes, após uma discussão entre a vítima e um dos suspeitos. Na ocasião, Claiton Lampert, apontado como comparsa de Edilson, também foi detido.
Durante buscas na casa dos suspeitos, os policiais encontraram a arma que teria sido utilizada no homicídio. Os dois foram indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil.
Conforme as informações da ocorrência, após a discussão, um dos suspeitos sacou a arma e atirou contra Alexandre. Populares ainda tentaram levar a vítima ao hospital, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu antes de receber atendimento médico.
Tabletes de maconha apreendidos por policiais do Batalhão de Choque (Foto: Divulgação)
Além dos casos já citados, o histórico policial de Edilson reúne registros de ocorrências desde 2007. Em 2007, ele aparece como testemunha em um caso de ameaça e vias de fato. Em 2010, consta como autor/vítima em uma ocorrência de vias de fato.
Em 2012, há registros relacionados à condução de veículo sem habilitação, com perigo de dano, embriaguez ao volante e entrega de veículo a pessoa sem condições de conduzi-lo com segurança.
Já em 2013, o histórico inclui uma ocorrência de averiguação de suspeito. Os registros mencionados incluem autuações em flagrante em casos de porte ilegal de arma de fogo.
Por Bruna Marques e Helio de Freitas, de Dourados
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